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As muitas caras de Tatiana Maslany na FREQ

Tatiana Maslany desempenha algumas das mulheres mais interessantes na televisão, e todas elas na mesma série. Em Orphan Black, o drama canadense nomeado para o Emmy, que recentemente voltou para a sua quarta temporada, Maslany protagoniza uma mulher chamada Sarah Manning que descobre que faz é parte de uma experiência de clonagem nefasta que a deixou com um número desconhecido de irmãs idênticas espalhados pelo mundo.

Ao longo dos últimos anos da série, esta premissa tem permitido a Maslany  entrar na pele de uma assassina ucraniana, uma mulher dos subúrbios, uma cientista e uma CEO. É um papel de muitas cabeças espectacular e aquele em que um ator menor poderia ter vacilado. Em vez disso, é permitido a Maslany  demonstrar um talento enorme como atriz e colocar algo igualmente raro em exposição: uma série onde a maioria das personagens são mulheres multi-dimensionais, e que se preocupa com a forma como percebemos os corpos, mente e humanidade das mulheres.

Com a última temporada de Orphan Black agora em emissão na BBC America, Maslany falou com a FREQ sobre a desigualdade em Hollywood, “personagens femininas fortes,” e redefinindo a maneira como pensamos sobre as histórias das mulheres.

FREQ: Eu sei que já te identificas como feminista, e estou curiosa sobre como o teu relacionamento com o feminismo evoluiu. Foi uma realização que tiveste numa idade jovem, ou algo que veio mais tarde na vida?

TM: Eu acho que o primeiro livro que li sobre isso foi “Sim, Significa que Sim”, e é sobre a cultura estupro e essa ideia de consentimento entusiasmado, dizer “sim” versus uma ausência do “não”. Foi tão alucinante para mim porque eu sabia que sentia certas coisas à cerca da maneira como o mundo era, mas nunca as vi articuladas assim. Fiquei obcecada com a leitura sobre o assunto e comecei a falar sobre o livro com os meus amigos. Mas entrou na minha vida mais tarde do que a algumas pessoas. Não foi até aos meus 20 e poucos anos que eu comecei a sentir realmente o meu lugar no feminismo e a reivindicá-lo como meu próprio.

Mas [na representação] é definitivamente uma coisa que tenho notado desde que era criança, em termos de não haver mulheres com quem me pudesse relacionar no ecrã. Mesmo a partir de uma idade muito jovem, eu não entendia porque não via pessoas como eu no ecrã, porque não podia eu ligar-me aquelas personagens. E, definitivamente, quando comecei a fazer Orphan Black, tornei-me muito consciente disso e realmente ciente do quão sortuda sou por estar numa série que desafiou essas normas. É definitivamente algo que eu penso muitas vezes.

FREQ: Achas que o foco nas personagens femininas e experiências em Orphan Black mudou a forma como a série é recebida?

TM: Eu acho ótimo que os fãs se agarrem a esse conceito, que vejam algo que mexa com eles. Acho que se tornou [parte] a conversa em termos de feminismo e o que dizemos sobre os corpos e sobre as mulheres e sobre a autonomia. Especialmente após a reação à primeira temporada, tornou-se algo com o qual estávamos realmente conscientes na temporada seguinte.

Eu acho que [as mulheres] são sempre reduzidas a um tipo e corpo, o que é interessante na série é que nos diz, sim poderíamos ser assim. Poderíamos ser qualquer coisa. Mas o que é a verdade de quem somos? A nossa sociedade é tão esteticamente inclinada, e nós definimo-nos tanto pelo exterior e o que as pessoas pensam desse exterior e como isso se reflete e como isso reflete quem realmente somos. Estou sempre interessada em mudar essas expectativas. Há uma personagem no nosso programa que é tão bem cuidada e [representante] de um certo tipo de mulher, e ainda assim no primeiro episódio em que aparece, nós realmente conseguimos quebrá-la e permitir que ela tenha essa outra vida dentro dela que não é o que vemos no exterior, e não o que esperamos. Isso é realmente divertido e eu adoro.

FREQ: O termo “forte personagem feminina” é dito para elogiar personagens femininas, mas uma das coisas que eu adoro à cerca de muitas das personagens em Orphan Black é como elas têm mais níveis para além do que está apenas estereotipado como “força”.

TM: Eu não sei mesmo de onde isso [expressão] veio, mas é algo muito limitante. Parece até que se foca na imagem masculina para definir força. E parece demasiado infalível ao indicar a força. As pessoas mais fortes que admiro têm muitas falhas e são extremamente humanas. Elas não fazem necessariamente piruetas e chutam alguém na cara. Elas lutam com a vida e as suas emoções e relações e objetivos. Eu não sei mesmo o que significa “personagem feminina forte”. É usado em demasia. Olhemos para a [atriz] Gena Rowlands [no filme 1974] Uma Mulher Sob Influência. AsSua personagem nunca poderia de forma generalizada ser uma “personagem feminina forte”, mas é uma personagem feminina forte de qualquer maneira, porque é um ser humano completo, complexo, e não é apenas reduzida à energia ou coragem.

Estou realmente interessada numa conversa sobre que espaços podemos definir para nós mesmos como mulheres. Ficamos tão obcecadas ao ocupar espaços dominados por homens ou histórias ou narrativas, mas há apenas tantas outras histórias que ainda não contamos. E quanto todas as outras histórias que ainda não contamos sobre as mulheres? Nós nem sequer chegamos lá de forma eficaz ainda.

FREQ: O que achas que isso significaria, ao criar espaços que são mais focados em mulheres e mais interessados nas perspectivas das mulheres?

TM: Eu acho que definitivamente significaria ter mais mulheres envolvidas na produção destas histórias. Na maioria dos trabalhos que tenho, 80 por cento das pessoas são homens … eu adorava ver como seria, se 80 por cento das pessoas no set fossem mulheres. Eu não sei mesmo o que faria de diferente ou o que iria acontecer, mas eu gostava de saber. Existem estas áreas inexploradas. Eu não sei mesmo com o que se parece, mas sei que é possíveis.

FREQ: Tem havido muita discussão recentemente sobre demografia em Hollywood, sobre as disparidades salariais, sobre a brancura dos Oscars. Sentes que, como não há qualquer tipo de mudança a acontecer no terreno, as pessoas estão interessadas em mudar as coisas?

TM: Eu acho que as coisas estão a mudar. Espero que estejam. Vejo mudar muito mais em televisão e cinema do que no passado, as redes sociais têm permitido que certas vozes sejam ouvidas, que normalmente não teriam uma plataforma. Mas então olhas para o actual clima político, e  também vês esse medo de que algo aconteça e este desejo de voltar ao arcaico, aterrorizante maneiras de olhar para os direitos civis e o sistema jurídico. Parece que estamos a andar para a frente de uma maneira grande, mas há também muitas pessoas que têm muito medo da mudança e vão por isso na direção oposta. É realmente assustador.

FREQ: Mencionaste que estás interessada em mais histórias sobre mulheres. Obviamente tens Orphan Black agora, mas isso é algo sobre o qual te queres concentrar ao seguir em frente na tua carreira?

TM: Absolutamente. Estas histórias são poucas e distantes entre si, mas quando eu as vejo fico super animada por elas. Eu também estou tão animada para ver outras mulheres obter estas peças e criar aquelas peças. Eu quero que elas se tornem mais do que um padrão, para se tornarem mais na norma, em vez de uma coisa notável. Essa é a coisa estranha sobre a nossa série, é percebida como tão incrível porque é centrada nas mulheres. Mas não posso esperar pelo dia em que isso não seja uma coisa incrível, mas sim normal.

Bruna Pias | Junho 9, 2016 | Artigos, Entrevistas, Orphan Black, Tatiana Maslany | comentários

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As muitas caras de Tatiana Maslany na FREQ

Tatiana Maslany desempenha algumas das mulheres mais interessantes na televisão, e todas elas na mesma série. Em Orphan Black, o drama canadense nomeado para o Emmy, que recentemente voltou para a sua quarta temporada, Maslany protagoniza uma mulher chamada Sarah Manning que descobre que faz é parte de uma experiência de clonagem nefasta que a deixou com um número desconhecido de irmãs idênticas espalhados pelo mundo.

Ao longo dos últimos anos da série, esta premissa tem permitido a Maslany  entrar na pele de uma assassina ucraniana, uma mulher dos subúrbios, uma cientista e uma CEO. É um papel de muitas cabeças espectacular e aquele em que um ator menor poderia ter vacilado. Em vez disso, é permitido a Maslany  demonstrar um talento enorme como atriz e colocar algo igualmente raro em exposição: uma série onde a maioria das personagens são mulheres multi-dimensionais, e que se preocupa com a forma como percebemos os corpos, mente e humanidade das mulheres.

Com a última temporada de Orphan Black agora em emissão na BBC America, Maslany falou com a FREQ sobre a desigualdade em Hollywood, “personagens femininas fortes,” e redefinindo a maneira como pensamos sobre as histórias das mulheres.

FREQ: Eu sei que já te identificas como feminista, e estou curiosa sobre como o teu relacionamento com o feminismo evoluiu. Foi uma realização que tiveste numa idade jovem, ou algo que veio mais tarde na vida?

TM: Eu acho que o primeiro livro que li sobre isso foi “Sim, Significa que Sim”, e é sobre a cultura estupro e essa ideia de consentimento entusiasmado, dizer “sim” versus uma ausência do “não”. Foi tão alucinante para mim porque eu sabia que sentia certas coisas à cerca da maneira como o mundo era, mas nunca as vi articuladas assim. Fiquei obcecada com a leitura sobre o assunto e comecei a falar sobre o livro com os meus amigos. Mas entrou na minha vida mais tarde do que a algumas pessoas. Não foi até aos meus 20 e poucos anos que eu comecei a sentir realmente o meu lugar no feminismo e a reivindicá-lo como meu próprio.

Mas [na representação] é definitivamente uma coisa que tenho notado desde que era criança, em termos de não haver mulheres com quem me pudesse relacionar no ecrã. Mesmo a partir de uma idade muito jovem, eu não entendia porque não via pessoas como eu no ecrã, porque não podia eu ligar-me aquelas personagens. E, definitivamente, quando comecei a fazer Orphan Black, tornei-me muito consciente disso e realmente ciente do quão sortuda sou por estar numa série que desafiou essas normas. É definitivamente algo que eu penso muitas vezes.

FREQ: Achas que o foco nas personagens femininas e experiências em Orphan Black mudou a forma como a série é recebida?

TM: Eu acho ótimo que os fãs se agarrem a esse conceito, que vejam algo que mexa com eles. Acho que se tornou [parte] a conversa em termos de feminismo e o que dizemos sobre os corpos e sobre as mulheres e sobre a autonomia. Especialmente após a reação à primeira temporada, tornou-se algo com o qual estávamos realmente conscientes na temporada seguinte.

Eu acho que [as mulheres] são sempre reduzidas a um tipo e corpo, o que é interessante na série é que nos diz, sim poderíamos ser assim. Poderíamos ser qualquer coisa. Mas o que é a verdade de quem somos? A nossa sociedade é tão esteticamente inclinada, e nós definimo-nos tanto pelo exterior e o que as pessoas pensam desse exterior e como isso se reflete e como isso reflete quem realmente somos. Estou sempre interessada em mudar essas expectativas. Há uma personagem no nosso programa que é tão bem cuidada e [representante] de um certo tipo de mulher, e ainda assim no primeiro episódio em que aparece, nós realmente conseguimos quebrá-la e permitir que ela tenha essa outra vida dentro dela que não é o que vemos no exterior, e não o que esperamos. Isso é realmente divertido e eu adoro.

FREQ: O termo “forte personagem feminina” é dito para elogiar personagens femininas, mas uma das coisas que eu adoro à cerca de muitas das personagens em Orphan Black é como elas têm mais níveis para além do que está apenas estereotipado como “força”.

TM: Eu não sei mesmo de onde isso [expressão] veio, mas é algo muito limitante. Parece até que se foca na imagem masculina para definir força. E parece demasiado infalível ao indicar a força. As pessoas mais fortes que admiro têm muitas falhas e são extremamente humanas. Elas não fazem necessariamente piruetas e chutam alguém na cara. Elas lutam com a vida e as suas emoções e relações e objetivos. Eu não sei mesmo o que significa “personagem feminina forte”. É usado em demasia. Olhemos para a [atriz] Gena Rowlands [no filme 1974] Uma Mulher Sob Influência. AsSua personagem nunca poderia de forma generalizada ser uma “personagem feminina forte”, mas é uma personagem feminina forte de qualquer maneira, porque é um ser humano completo, complexo, e não é apenas reduzida à energia ou coragem.

Estou realmente interessada numa conversa sobre que espaços podemos definir para nós mesmos como mulheres. Ficamos tão obcecadas ao ocupar espaços dominados por homens ou histórias ou narrativas, mas há apenas tantas outras histórias que ainda não contamos. E quanto todas as outras histórias que ainda não contamos sobre as mulheres? Nós nem sequer chegamos lá de forma eficaz ainda.

FREQ: O que achas que isso significaria, ao criar espaços que são mais focados em mulheres e mais interessados nas perspectivas das mulheres?

TM: Eu acho que definitivamente significaria ter mais mulheres envolvidas na produção destas histórias. Na maioria dos trabalhos que tenho, 80 por cento das pessoas são homens … eu adorava ver como seria, se 80 por cento das pessoas no set fossem mulheres. Eu não sei mesmo o que faria de diferente ou o que iria acontecer, mas eu gostava de saber. Existem estas áreas inexploradas. Eu não sei mesmo com o que se parece, mas sei que é possíveis.

FREQ: Tem havido muita discussão recentemente sobre demografia em Hollywood, sobre as disparidades salariais, sobre a brancura dos Oscars. Sentes que, como não há qualquer tipo de mudança a acontecer no terreno, as pessoas estão interessadas em mudar as coisas?

TM: Eu acho que as coisas estão a mudar. Espero que estejam. Vejo mudar muito mais em televisão e cinema do que no passado, as redes sociais têm permitido que certas vozes sejam ouvidas, que normalmente não teriam uma plataforma. Mas então olhas para o actual clima político, e  também vês esse medo de que algo aconteça e este desejo de voltar ao arcaico, aterrorizante maneiras de olhar para os direitos civis e o sistema jurídico. Parece que estamos a andar para a frente de uma maneira grande, mas há também muitas pessoas que têm muito medo da mudança e vão por isso na direção oposta. É realmente assustador.

FREQ: Mencionaste que estás interessada em mais histórias sobre mulheres. Obviamente tens Orphan Black agora, mas isso é algo sobre o qual te queres concentrar ao seguir em frente na tua carreira?

TM: Absolutamente. Estas histórias são poucas e distantes entre si, mas quando eu as vejo fico super animada por elas. Eu também estou tão animada para ver outras mulheres obter estas peças e criar aquelas peças. Eu quero que elas se tornem mais do que um padrão, para se tornarem mais na norma, em vez de uma coisa notável. Essa é a coisa estranha sobre a nossa série, é percebida como tão incrível porque é centrada nas mulheres. Mas não posso esperar pelo dia em que isso não seja uma coisa incrível, mas sim normal.

Bruna Pias | Junho 9, 2016 | Artigos, Entrevistas, Orphan Black, Tatiana Maslany | comentários

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